Como pode a pitangueira
Deixar partir a folha seca
E ao mesmo tempo, tanto apego
Tão possessiva pela terra presa?
Eu diria: é por amor que ela cede
É por amor que ela prende

Como pode o mambembe
Apresentar-se assim, sem palco
Colher num dia mil aplausos
E noutro, nenhum público presente?
Eu diria: é por amor que prosseguem
É por amor que se estendem

Ah, como pode este peito parco
Procurar, e esperar o amor
Se envergonhar sem nenhum pudor
De compilar o amor, e espantar o amor
E desnascer, e retornar no amor
E proferir palavras para o amor

Eu diria sim: é tudo por amor
Eu diria
Se soubesse o que é o amor.

Letícia Mendonça