Sobre palcos enfarpados,
Dança a bailarina da sorte
Guiada pelo ferrugem cravados em pés laçados,
Esquiva-se da lança da morte
"Coreografia solene
Para um público escolhido."
Dança corpete rosa
Que exala confuso perfume,
Sedutora do crepúsculo à aurora,
Cintilante em cada negrume.
"Ai daqueles que não alcançam o ritmo
E assim, pegos pela lança sedenta."
Ritmados compassos
Rodopiam e sangram até o fim,
Se por ventura caíres em meus braços,
Dou-lhe a vida que habita em mim.
"Perdido aquele tomado pela fissura
Cujo amor por ela é maior que a razão."
Jémina Diógenes