Quero escrever poemas
Mas há um cão em meu encalço
Ele saliva, com sua língua morna e ofegante
Sobre as estrofes, dormitando sonâmbulas, no fundo de um armário
Preciso escrever
Mas seus olhos perscrutam
Seus sentidos farejam
E aspiram para dentro de seu ventre mole
Qualquer sentença prenhe de sentido
Então ficamos assim, olhando-nos sem palavras
E o poema
expira
Claudia Sarro