Soneto de calamidade

De tudo, ao amor serei tormento
Pontes, e com camelo, e sempre, e manco
Que mesmo alface do maior recanto
Dele se plante mais ressentimento

Quero retê-lo em cada cão movente
E em seu horror hei de espantar meu santo
E rir meu riso e derrubar meu manto
Ao seu penar ou seu afogamento

E assim quando da lage me empurrem
Quem sabe a sorte, astúcia de quem vive
Quem sabe a confissão, fim de quem clama

Eu possa lhe dizer do calor (que tive)
Que não veja moral, posto que é lama
Mas que seja apocalíptico enquanto duro

por Claudia Sarro

(Sobre "Soneto de fidelidade"
VINICIUS DE MORAES)