Numa agitada cidade de São Paulo, localiza-se meu apartamento, os quartos são arejados, confortáveis e tudo que preciso e necessito tenho ao meu alcance, mas o que me perturba é a solidão que insiste em me acompanhar nesses longos anos. Eu que sempre fui rodeada de amigos, vivi alegremente e hoje permaneço nessa vida de lamentos.
Da sacada do apartamento vejo a lua, faz dia que só tenho visto isso e deveria estar contente por poder contemplar o seu brilho, ouço os carros daqui de cima, as pessoas vão num vai e vem.
O relógio marca 20h29min, já não aguento mais essa vida... Todos os dias nessa solidão que me atormenta, isso porque dizem que a solidão é a casa das ideias, que ideias? Se ultimamente só passa na minha mente a vontade de sair e encontrar alguém para conversar, me distrair e trocar confidencias.
As horas passam, passam e os meses também e nada, só tenho vivido dessa forma.
Em um belo domingo de sol logo após o almoço ouço barulhos, que estranho! Mas o que será agora? Era só o que me faltava! Abri a porta e não vi nada, não havia ninguém. Deixei pra lá, acho que devo estar ouvindo coisas demais.
À noite enquanto jantava, ouvi novamente barulhos no hall, eram tenebrosos, parecia ter alguém andando, arrastando correntes, estava preocupada, parei de comer e fui até a porta para ver o que era, olhei, olhei novamente, mas não vi nada, então terminei de jantar.
Tranquilamente fui dormir, quer dizer, não tão tranquila assim, enquanto o sono não vinha e os pensamentos voavam na minha cabeça ouvi novamente barulhos e estes ficavam mais fortes e aumentava a cada minuto que passava. Resolvi ir novamente até a sala para verificar o que estava acontecendo e novamente ouço barulho próximo a porta, e agora o que será meu Deus, o que faço!
Aos poucos os barulhos foram diminuindo e o sono foi chegando.
No outro dia pela manhã fiquei preocupada, e agora será que estou ficando louca? Não tem nada do outro lado da porta não vejo nada demais, acho que tem alguém querendo me assustar.
Pensei em chamar um padre, talvez se um padre viesse até o apartamento poderia verificar o que ocorre e me confortar, é isso o que vou fazer. Vou ligar para ele. Mas o telefone não funciona. Estranho, como posso estar sem telefone?!
E agora o que vou fazer?
Voltei o meu olhar para a porta e percebi que havia algo embaixo da porta, achei estranho, mas fui até o local, com muito medo, conferi. Era um envelope, abri imediatamente para ver o que há dentro dele.
Tem uma chave, mas que chave é essa? Devo abrir o que com esta chave?
Preciso sair daqui o mais rápido possível. Preciso de ajuda.
No decorrer do dia das minuciosas explicações que dava sobre os barulhos e o aparecimento dessa chave, cai em um sono pesado. Dormi intensamente e sonhei. Sonhei que estava em um lugar diferente que tinha vários baús e que eu deveria abrir um baú, apenas um, deveria escolher e abri-lo.
Nossa, mas o que será que vou encontrar dentro desse baú?
De nada sabia, nem mesmo por que estava ali, sem saber o que fazer.
Ansiosa para descobrir o que estava acontecendo e escolher o baú correto, as dúvidas me perseguiam.
Acordei de repente! As perguntas iam e vinham, nada conseguia descobrir, que baú devo escolher, ninguém pode me orientar, o que essa chave deverá abrir?
Quando a ansiedade começou a me levar ao colapso, cai no sono novamente.
Ao regressar do sonho, e novamente ver os baús, deveria fazer a escolha correta, do baú e abri-lo?
As dúvidas ainda me perseguiam, o desânimo foi substituído por um entusiasmo primitivo e faziam as probabilidades de se tornar claro e transparente o que era mistério.
O que devo fazer? Escolho um dos baús? É o que devo fazer. Então farei a escolha.
Diante dos baús, fiz a escolha, a chave estava em minhas mãos e me direcionei até ele e abri, o que encontrei me deixou certamente entusiasmada com as palavras que havia escritas em um pedaço de papel: “Se deseja sair dessa eterna solidão e de seus lamentos, deverá abrir a porta do seu coração, pois há muito tempo você se fecha para as coisas boas que o mundo possa te oferecer.”
Acordei assustada e percebi que as atitudes deverão ser tomadas por mim, diante daquele sonho e de tudo que aconteceu, percebi que não adianta ficar esperando as coisas acontecerem.
Gislaine