Descrevi um mar de areia

Na areia clara do mar
(Cordel)


Frente a esta imensidão
E perdido em seu encanto
Chego até sentir espanto
Por tamanha solidão
Diante de um coração
Que triste chora a clamar
Por não mais se enxergar
Não sentir sangue na veia
Descrevi um mar de areia
Na areia clara do mar.

Meus olhos, não mais os vejo
Com aquele brilho irradiante
Que um dia por um instante
Na revelação, um ensejo
Encantando como um arpejo
Quem os quisesse fitar
Quem soubesse admirar
Se perdendo nesta teia
Descrevi um mar de areia
Na areia clara do mar.

Sombrio e triste deserto
Encantos assim medonhos
No obscuro dos meus sonhos
Não vejo caminho certo
À deriva fico quieto
Não sei que rumo tomar
Sinto medo ao enxergar
Que a razia me rodeia
Descrevi um mar de areia
Na areia clara do mar.

Batalha do próprio ser
Perante sua inquietude
Terna e vil esta virtude
De querer se conhecer
Sem nunca saber dizer
Onde é que realmente está
Porque se deixou levar
Hoje insana dor tão feia
Descrevi um mar de areia
Na areia clara do mar.

Restou-me inspiranidade
Tentando assim entender
Qual a busca deste ser?
O porquê da realidade?
Qual sentido da verdade?
Onde eu mesmo fui parar
Perante este meu pensar?
A dúvida me permeia
Descrevi um mar de areia
Na areia clara do mar.


Paulo Dantas