Barulhinho de boca mastigando me encanta
faço-me poeta do silêncio
entre as palavras que experimento
na boca de fala capenga e sem dentes
:presença curiosa deste barulhinho.
(sobre o ato de escrever – pensando na monitoria)
(Sol) Lyllytthhg
Inverno – 2009
elisão do eu
ver o de dentro
e pelos seus olhos
sentir o aveludado das palavras
em toda sua dor ancestral
êxtase
:encontro
um único nascer
(Sol) Lyllytthhg
Inverno/2009
(sobre o ato de escrever)
ruminação
palavras líquidas tomam conta da minha escrita
chá chinês aromatiza o papel sobre a mesa
pingos escuros compõem as letras a dançarem
uma língua de vivo e desconhecido sabor
a cor é de maracujá maduro
e a carne, de graviola,
violentamente doce
mastigo as letras do poema que fugiu.
(Sol) Lyllytthhg
Inverno/2009
(sobre o ato de escrever)
ruído
a batedeira insana
esquiva-se de massas levianas
quer claras idéias alquimistas
a neve permeia a liga
e a gema reintegra-se ao
ovo enigma
açúcar é necessário
mas sem exageros
no adoçamento
a batedeira
segue sua própria receita
(fruto de experiências e receitas alheias)
:o sabor é ao gosto do leitor.
(Sol) Lyllytthhg
Outono/2009
(sobre o escrever)
pie
a escrita
conexão
de almas
menor
aasolidão
aaaentre
tan tas
p a l a v r a s
fatia
um ser em mil
p
aaaaaaaaaaae
d
aaaaaaaaa
aaaç
o
aaaaas
:para cada
parte,
uma fatia
:o talher é a língua.
(Sol) Lyllytthhg
Inverno/2009
(sobre o escrever)
acidente
SE JOGOU NA FRENTE DO ÔNIBUS
não que se tratasse de um suicídio,
apenas estava vivendo automaticamente
: precisava atravessar a rua.
(Sol) Lyllytthhg
Inverno/2009
(Idade Midiática)
eclipse
barata, rato, motoboy,
o carro que tira racha
sozinho na avenida
antes do farol verde;
tráfego congestionado,
todos os dias a mesma notícia;
no não-sol nasce a solidão
:cruel ressarcir da sociedade
dor ao ver televisão e ler jornal
ao pé da cama, sol e lua
contra o consumo universal
e o foco monopolizador
da informação em massa
é o silenciador do consumidor.
(Sol) Lyllytthhg
Inverno/2009
(idade midiática e vila matas)