ESQUECER

Noite...
Rua deserta, penumbra,
Silêncio total...
Faróis baixos ligados,
Carro parado
Olho pro lado... Derrepente a cena!
Homem jogado ao chão,
Sacolas para todos os lados.
Acelero, faço a curva,
Que medo!

Consciência? Pede pra voltar.
Meia volta, desço, tento ajudar,
Aquele rosto enrugado,
Sangue quente corre-lhe na face.
Não aceita...

Quero ajudar...
Argumento, quase implorando,
Que estupidez!
Não aceita...

Chamo socorro, será assalto?
Não, cachaça...
Sempre a culpada.
Assim não tem jeito...
Pra que sofrimento!
Vou embora, ligo o rádio,
ouço uma música.
Esqueço.


Sueli R. S. Simão