Oxina imitada
Espero compor um sexteto impuro
quanto cantor nenhum saberá entender.
Espero fazer um sexteto obscuro,
mudo, acanhado, difícil de ler.
Quero que meu sexteto, no futuro,
embriague alguém para dizer
Que do seu maligno ar ludíbrio,
Possa ao menos beber, beber.
Essa minha voz ébria e insegura
há de fingir, há de poder dizer,
tonel de vinho sob o Epicuro.
Ninguém o cantará: soco no escuro,
Voz pisada no chão, enquanto
Vermute, claro epígrafe, se deixa embevecer.
por Claudia Sarro
(Sobre "Oficina irritada"
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)