Os médicos alardeiam que todo homem deve fazer o exame da próstata a partir dos 45 anos. As chances de se ter um tumor é muito grande após esta idade. No entanto, o que acontece é que os homens desta faixa etária são machistas por demais. Eles não aceitam fazer o exame do toque. O mais que toleram é um exame de sangue ou no máximo, com um certo desdém, um ultra-som, por achar coisa de mulher. Mas esses tipos de exames não são eficazes como são os de toque.
Acredito que haja uma solução para este dilema, que tal se ao contrário de um médico, uma médica urologista? Ah! Seria uma correria geral aos consultórios, quem sabe não houvesse homem querendo entrar duas vezes na fila de espera?
Recentemente procurei um médico, amigo meu, o Sálvio, - essas coisas ficam mais bem resolvidas entre amigos -. Ele disse que seria preciso fazer a famosa massagem, o fatídico e infalível toque na próstata.
Marcado dia e hora, estava eu lá, de quatro sobre a maca. E ele na maior tranquilidade, vestindo a luva cirúrgica, com seu enorme dedo grosso e comprido, contando uma história mais do que imprópria para aquele momento, casado de novo, vejam só! Dizia sobre sua recente lua-de-mel em Porto Seguro. Passou uma vaselina, concentrou-se e se aproximou. Antes colocou uma toalha de papel embaixo do meu pinto.
- O que é isso, doutor? (Perguntei intrigado).
- Oh! Paulão, qualé a tua? Sou o Sálvio, não me chama de doutor, somos amigos esqueceu?
- Tá, Sálvio... Mas pra quê isso?
- Caso você goze!
- Num pulo me sentei na cama e encare-o -. Quer dizer que isso aqui é uma foda?
- Não cara! Fica calmo. Isso é normal. Não é com todos que acontece.
- Sálvio se enfiar o dedo aí e eu gozar, como é que eu fico?... Qual é a probabilidade dos que gozam?
- 50% a 60% por cento.
Tá, mas pega leve, heim!
Sálvio espalmou a mão contra a fulgurante luz hospitalar, - como a examinar se estava na espessura certa para aquele orifício -, ajustou a luva, esticou o dedo “fura-bolo” e, sereno, denotando muita paz de espírito deu início ao trabalho. Silêncio no consultório, ele escutava com muita atenção como se de lá de dentro viesse algum som. Quando toca seu celular. - Que absurdo!, celular ligado dentro do consultório. - Era sua recém-esposa pedindo informação sobre como chegar à Bela Vista saindo de sua casa, em Santana. “Oi, amor!”. Aquele “oi amor” tão expressivo e com o dedo no que era meu, e não dele, já me deu um calafrio que me arrepiou dos pés à cabeça. Começa a explicação: “Você desce a Voluntário da Pátria, quando chegar na altura da estação do Metrô, vira à esquerda... não benzinho, volta um pouco, em seguida à direita, na Cruzeiro do Sul e segue em frente... isso, em frente”. E continuou dando às referências, usando o dedo que estava sendo usado dentro de mim, como indicador de direção. Não deu outra, ejaculei.
É por essa ou por outras piores que os machões têm razões que a própria razão desconhece. - Desculpem-me a longa frase feita -, mas por via das dúvidas, é melhor ficar mesmo no exame de sangue, olhe lá no ultra-som. Se bem que o toque não é mau de todo. Mas eu continuo insistindo: por que não uma médica? Vai que... Tem aonde se agarrar e não ficar com a cara enterrada na cama, morrendo de vergonha.
Paulo Luís