Amigos inseparáveis


Eles eram amigos, muito amigos por sinal: Visinhos de longa data, tinham por costume de se encontrar em um bar próximo a suas casas. Todo dia, era religioso, saiam do trabalho e iam direto para o bar, onde se distraíam jogavam dominó ou baralho. As conversas l eram regadas com cachaça e cerveja. Era isso que faziam a maioria dos homens daquela época, adoravam freqüentar um botequim. Depois seguiam para seus respectivos lares. José morava uns 200 metros de distancia da casa de Hans. Sempre era a mesma rotina, a não ser naquela noite que por ironia do destino não voltaram para suas casas. Lembro-me muito bem daquela noite, que tanto a família de José quanto a de Hans não conseguiram dormir tranquilamente. No dia seguinte foi tortuoso, achavam que algo de ruim havia acontecido. Eles eram procurados por toda parte, inclusive em hospitais e IML. Para o alívio geral foram encontrados, imaginem onde? Na delegacia. Acabaram ficando mais íntimos ainda, dormiram juntos. Na noite anterior foram para o bar, onde jogaram um jogo chamado buraco. Com certeza exageraram na bebida. Só sei que a certa altura do campeonato, já meio bêbados, um dos dois falou: “filho duma” o outro ofendido disse: não mete a mãe no meio, não mexe com a minha mãe e assim por diante, socos e pontapés. Nem mãe de bêbedo gosta de ser ofendida. Por azar dos dois amigos, neste momento passou em frente do bar uma viatura da rota, que por sinal precisava mostrar serviço. Levaram os dois para a delegacia e os colocaram na mesma cela. No outro dia nem lembravam direito o ocorrido, saíram da delegacia passaram no bar para tirar o gosto de cabo de guarda chuva da boca e foram para casa juntos, como sempre.

Solange Rossignoli 05.09.2009