O seu nome era José. Mas, era chamado carinhosamente por veio, no bairro em que morávamos. Eu nesta época, para se bem franca, não tinha consciência da importância que ele tinha em minha vida. Quando éramos criança nosso pai vivia a preocupar-se com o nosso sustento e quase não tinha tempo para ficar conosco. Foi com o passar dos anos que este véio entrou em meu coração de uma maneira, que hoje me surpreendo a procurar nas feições de outros veios algo de palpável para chegar até ele.
Outro dia quando eu e minha mão passávamos em frente ao bar, que meu pai freqüentava, eu falei para ela:
_ mãe, se o pai fosse vivo ele estaria sentado naquele cantinho agora.
_ é verdade, ele costumava ficar daquele lado.
Meus olhos tristes e saudosos se arrastaram pelo bar.
Olhei, olhei, quando de repente sentados no degrau, avistei três homens, o terceiro da esquerda para direita, era meu pai. Sentadinho, com o cabelo em desalinho a fumar o seu cigarro. Era incrível, tudo era tão igual, o jeito de olhar, as feições, o modo de ficar meio parado a contemplar o que se passava ao seu redor. Não pensem que meu pai tinha um aspecto comum, não tinha não. Apossou de mim uma euforia, que falei para mãe.
_ Mãe é ele, o pai, dê uma olhada.
Mãe, de pronto falou para mim.
Você está louca?
E eu insistia.
_Mãe, olha lá.
Ela olhou e foi obrigada a concordar, que o veio que estava lá era cópia do meu pai. Acho que isto acontece por que Deus se compadece das pessoas que perde seus entes queridos e faz outras parecidas que servem para matar a saudade louca que a gente sente no peito. Comentei com meu filho o acontecido e ele que falou com admiração.
_É verdade, tem um veio lá que é cara do vô Zé.
Solange Rossignoli