Caminhas rotundamente por ruas sonâmbulas
Flagrando os passos trôpegos dos olhares na avenida
Estridentes britadeiras cortam o silêncio agreste
Onde repousas, adormecido, seu fino coração, o chapéu e a pele.
As praças nutrem de fumaça suas veias
Nos bancos abandonas suas velhas marcas e frases feitas
Antigos habitantes de mundos outrora vencidos
Te aliviam do peito as feridas abertas
Te levantas abrigando o ungüento entre as pálpebras cerradas
e um leve sorriso entre os dentes
por Claudia Sarro
(Sobre "Elegia" 1938 , em Sentimento do Mundo (1940)
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)